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Contatos imediatos (capítulo 19)

Já com as pernas cansadas de tanto fugir, descemos a toda velocidade as escadas da Biblioteca. Estávamos novamente nos Barris, e uma questão surgiu. Eu perguntei:
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-Para onde vamos agora?
-Longe daqui. -Respondeu Zé.
-Vamos descer essa ladeira, é melhor correr logo.
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A ladeira ao qual eu me referia era a dos Barris, em frente à BIC, foi para lá que corremos e para não correr o risco de sermos vistos, viramos na Travessa dos Barris. Até o momento não tinha ninguém nos seguindo, o que era uma raridade. Paramos em frente a estação de telecomunicações Olá Hello, uma das maiores da Bahia. Além de ser um prédio bonito, lá poderia existir a possibilidade de entrarmos em contato com alguém. Decidimos entrar.
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-Vamos subir, lá em cima estaremos mais seguros. -Alemão sugeriu.
-Eu concordo brother, vamos lá.
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As janelas do andar superior nos davam uma visão geral do bairro dos Barris e adjacências, o que nos possibilitava avistar qualquer movimento na rua, até mesmo da entrada da Biblioteca. Mas pelo que pude observar, ninguém veio nos seguir, pelo que parece, conseguimos um local seguro, no momento.
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-Pessoal, vamos aproveitar o momento de segurança para nos recompor, eu estou cansado.
-Meu irmão, eu não aguento mais essa vida. - Alemão desabafando.
-Calma velho, vamos sair dessa, eu prometo a você.
-Não adianta se desesperar, teremos que agir com inteligência agora, eles tem planos para tudo, vamos armar nossos planos também - Sugeriu Moto.
-E temos que ser rápidos, Jeff disse que o míssel será lançado hoje a noite, temos que fugir de Salvador.
-É verdade Zé, mas precisamos tomar um banho agora, pois você está podre.
-Você também baixinho, você tá o pior de todos.
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O relógio apontou meio-dia quando terminamos de tomar banho. Arrombando alguns armários de funcionários, foi possível encontrar algumas peças de roupas, eram quase dois números maiores que os nossos, mas eram melhores que os trapos sujos que vestíamos. Na geladeira eu consegui encontrar uma pizza bem velha, a fome era tanta que agente comeu ela gelada mesmo em menos de dois minutos. Após regalarmos, eu tomei a palavra:
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-Temos agora doze horas para sairmos de Salvador. Para onde vocês sugerem ir?
-Eu acho melhor agente sair logo é da Bahia. -Eddie disse.
-Boa idéia Moto, podemos ir dirigindo em alta velocidade, não temos obstáculos na pista.
-Exato, e podemos abastecer o carro ao longo do caminho. E também existem vários postos da polícia rodoviária, quem sabe podemos encontrar um policial.
-Bem pensado Moto. - Eu o elogiei.
-Então vamos adiantar.
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Andei até uma sala em que na porta se lia: "Centro de comunicações". A porta estava fechada, mas facilmente eu a arrombei com um ponta-pé. Tive uma grande surpresa ao encontrar muitos rádios de comunicação que aparentemente funcionavam.
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-Venham ver isso pessoal. - Chamei meus amigos.
-Caramba, massa, poderemos falar com alguém. -Disse Zé chegando a sala.
-É, mas temos que saber mexer aqui.
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Apertei vários botões, falei no microfone, mas nada aconteceu. Mexi na frequência várias vezes, mas só se escutava estática. Depois de muito tentar, eu ouvi uma voz.
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-...alguém aí, por favor, alguém aí?...
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Claro que tomamos um susto, a voz estava baixa, notei um tom de emergência na pessoa que falava, daí eu respondi:
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-Alô, alô, quem está falando?
-...socorro, ajuda por favor...socorro.
-O que está acontecendo?
-...meus pais sumiram...todos meus familiares sumiram...até meus vizinhos...
-Onde você mora?
-...fortale...
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O rapaz não conseguiu concluir sua frase, mas deu para perceber que ele queria falar Fortaleza.
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-Caramba velho, você ouviu? Não é só aqui que está acontecendo isso, aquele Dr. Macabbeus miserável vai acabar com o país inteiro. - Moto falou
-Sendo assim é melhor nem irmos a nenhum estado do Nordeste, vamos à direção Sudeste.
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Após minha sugestão, eu tentei refazer a conexão do rádio, mas sem sucesso. Procurei por um que fosse leve, para podermos levar, encontrei um bem pequeno que funcionava com baterias. Carreguei debaixo do braço e descemos as escadas. Nosso amigo Zé fez uma observação.
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-É melhor subirmos a ladeira a pé, se pegarmos um carro aqui seremos facilmente localizados.
-É verdade Zé, então subimos a ladeira e na Piedade pegamos um carro qualquer.
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Quando saímos silenciosamente do prédio, eram quase 12:30, mas o sol não apareceu, as nuvens trataram de cobri-lo. Descemos a ladeira com bastante discrição, sem fazer nenhum barulho. Logo estávamos na Praça da Piedade, não foi difícil encontrar um carro, havia vários deles parados pelo meio da rua. Escolhemos entrar num Eco Sport, afinal iríamos ter uma longa viagem e um pouco de conforto seria necessário. Depois que todos os meus amigos se sentaram, eu dei a partida, o carro pegou de primeira, olhei o medidor de combustível que indicava estar cheio, logo não seria necessário parar para abastecer tão cedo.
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Mais uma vez fiz uma oração a Deus e partimos rumo ao horizonte.
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