Passava das 0:45 quando paramos no posto. As coisas agora pareciam estar um pouco mais "tranquila", já reconhecemos que não podemos fazer muita coisa, aquela era a nossa Noite Alucinante*¹. Pelo vidro da loja de conveniências finalmente pude ver algum ser vivo, mas ele estava com a cabeça deitada no balcão, como se estivesse cochilando. Eu e Zé entramos, Alemão e Moto ficaram abastecendo sem a ajuda de um frentista. Enquanto eu me aproximava do balcão, sabia que conhecia aquela pessoa. Era Marcos Vinícius, nosso brother que estudou conosco, mas o que ele fazia ali? Estava com boné e camisa do posto. Um tapinha na cabeça dele para ver se ele acordava:
-Marcão brother! O que você faz aqui? -perguntei
-Baixinho, Zé, o que está acontecendo, o que vocês estão fazendo aqui?
Ele não parecia estar normal, suas pupilas estavam dilatadas, muito vermelhas, mas nós sabíamos que ele não usava drogas. Ele parecia que estava enlouquecendo, colocava a mão na cabeça, se abaixava. O que estava acontecendo com nosso amigo?
-Saiam daqui agora, vocês precisam sair daqui, todos vão morrer hoje, só vocês podem achar a passagem para o 4° andar.
-Sobre o quê você está falado, velho? Oxi, você está louco.
-Saiam, por favor, eles estão vindo, e não podemos lutar contra eles.
-Marcos, fique calmo, o que aconteceu?
Pude reparar que o celular dele estava sobre o balcão, mas estava desligado, talvez por baixa bateria. Eu nem acreditava, o brincalhão Marcos, que gostava tanto de contar piadas para a galera, agora está louco.
-Marcos, nos conte o que aconteceu, por favor!
-Não dá tempo, saiam daqui, agora, vocês vão morrer.
-Calmo amigo, nos conte.
-Tenho que contar rápido. Comecei a trabalhar aqui hoje, eu estava muito feliz com o novo emprego, os colegas aqui eram ótimas pessoas. O meu celular tocou, quando eu atendi...
A narratativa dele foi interrompida pelo som de um disparo muito forte. Eu e Zé corremos lá pra fora. O tiro raspou o braço de Alemão, e atingiu um dos galões de óleo diesel que estavam empilhados, derramando assim seu conteúdo pelo chão.
-Caramba, temos que correr daqui, agora! -Gritou Moto.
-Meu braço está doendo muito.
Eu corri para dentro da loja e gritei:
-Marcão, vamos embora daqui.
-Eu não posso, tenho que completar meu turno.
-Que turno nada, vamos embora.
-Saiam logo, eu não posso ir, por favor, vão logo.
Eu não podia mais perder tempo, eu não queria deixar meu amigo ali, mas ele não queria vim, todos nós iríamos morrer ali. Corri para o carro, uma flecha atravessou meu caminho e atingiu um galão, notei que a flecha estaca chamuscada de fogo. Entrei no carro, dei a partida, e mais um tiro atingiu o pára-brisas do carro. Acelerei ao máximo, e de dentro da loja, pude ouvir as últimas palavras de Marcão.
-Joguem todos os seus celulares na rua! Joguem todos!
Não prestamos muita atenção nisso, pisei fundo o acelerador, e um tiro acertou o farol direito. Logo estávamos na pista novamente, mais uma vez fugindo de um inimigo oculto. Todos estavam calados, cansados de fugir, ninguém tinha mais nada para falar. A sensação da adrenalina tão alucinante para jovens como nós, agora parecia a pior droga do mundo.
Eu olhava pelo retrovisor, o posto de gasolina cada vez mais longe. Eu não estava acreditando que deixei meu amigo para trás. Mas o pior não foi isso, o terrível aconteceu. Uma explosão gigantesca, um barulho estrondoso abalou nossos ouvidos e corações, o medo novamente subiu pela nossa espinha. Olhei pelo retrovisor mais uma vez, e era verdade, o posto de gasolina explodiu.
-Nãããããããããããããããoooooooo! -Gritei enquanto esmurrava o volante.
-Não é possível, Marcão, estava lá dentro.
-É, Zé, Marcos estava lá. -Moto já triste.
Eu dirigia, enquanto as lágrimas desciam dos meus olhos. A culpa era minha, eu tinha que ter tirado ele de lá. As lágrimas desciam continuamente, logo lembrei do poema de Vinícius de Morais, que diz:
-Marcão brother! O que você faz aqui? -perguntei
-Baixinho, Zé, o que está acontecendo, o que vocês estão fazendo aqui?
Ele não parecia estar normal, suas pupilas estavam dilatadas, muito vermelhas, mas nós sabíamos que ele não usava drogas. Ele parecia que estava enlouquecendo, colocava a mão na cabeça, se abaixava. O que estava acontecendo com nosso amigo?
-Saiam daqui agora, vocês precisam sair daqui, todos vão morrer hoje, só vocês podem achar a passagem para o 4° andar.
-Sobre o quê você está falado, velho? Oxi, você está louco.
-Saiam, por favor, eles estão vindo, e não podemos lutar contra eles.
-Marcos, fique calmo, o que aconteceu?
Pude reparar que o celular dele estava sobre o balcão, mas estava desligado, talvez por baixa bateria. Eu nem acreditava, o brincalhão Marcos, que gostava tanto de contar piadas para a galera, agora está louco.
-Marcos, nos conte o que aconteceu, por favor!
-Não dá tempo, saiam daqui, agora, vocês vão morrer.
-Calmo amigo, nos conte.
-Tenho que contar rápido. Comecei a trabalhar aqui hoje, eu estava muito feliz com o novo emprego, os colegas aqui eram ótimas pessoas. O meu celular tocou, quando eu atendi...
A narratativa dele foi interrompida pelo som de um disparo muito forte. Eu e Zé corremos lá pra fora. O tiro raspou o braço de Alemão, e atingiu um dos galões de óleo diesel que estavam empilhados, derramando assim seu conteúdo pelo chão.
-Caramba, temos que correr daqui, agora! -Gritou Moto.
-Meu braço está doendo muito.
Eu corri para dentro da loja e gritei:
-Marcão, vamos embora daqui.
-Eu não posso, tenho que completar meu turno.
-Que turno nada, vamos embora.
-Saiam logo, eu não posso ir, por favor, vão logo.
Eu não podia mais perder tempo, eu não queria deixar meu amigo ali, mas ele não queria vim, todos nós iríamos morrer ali. Corri para o carro, uma flecha atravessou meu caminho e atingiu um galão, notei que a flecha estaca chamuscada de fogo. Entrei no carro, dei a partida, e mais um tiro atingiu o pára-brisas do carro. Acelerei ao máximo, e de dentro da loja, pude ouvir as últimas palavras de Marcão.
-Joguem todos os seus celulares na rua! Joguem todos!
Não prestamos muita atenção nisso, pisei fundo o acelerador, e um tiro acertou o farol direito. Logo estávamos na pista novamente, mais uma vez fugindo de um inimigo oculto. Todos estavam calados, cansados de fugir, ninguém tinha mais nada para falar. A sensação da adrenalina tão alucinante para jovens como nós, agora parecia a pior droga do mundo.
Eu olhava pelo retrovisor, o posto de gasolina cada vez mais longe. Eu não estava acreditando que deixei meu amigo para trás. Mas o pior não foi isso, o terrível aconteceu. Uma explosão gigantesca, um barulho estrondoso abalou nossos ouvidos e corações, o medo novamente subiu pela nossa espinha. Olhei pelo retrovisor mais uma vez, e era verdade, o posto de gasolina explodiu.
-Nãããããããããããããããoooooooo! -Gritei enquanto esmurrava o volante.
-Não é possível, Marcão, estava lá dentro.
-É, Zé, Marcos estava lá. -Moto já triste.
Eu dirigia, enquanto as lágrimas desciam dos meus olhos. A culpa era minha, eu tinha que ter tirado ele de lá. As lágrimas desciam continuamente, logo lembrei do poema de Vinícius de Morais, que diz:
"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos"
No meu caso, não precisava todos morrer, apenas um só me faria enlouquecer.
A noite prossegue, e a nossa saga também...
*¹ Referência ao filme - Uma noite Alucinante.