A única coisa que nossa cabeça pensou naquele momento foi correr, e correr muito, até quem tinha cansaço esqueceu-se disso. Mas com as luzes todas apagadas, escuridão total como era possível chegar a algum lugar? Nossa experiência em Center Lapa era imensa, ninguém conhecia aquele shopping melhor que agente, praticamente vivíamos lá por assim dizer, poderíamos desenhar um mapa mental daquele lugar. Então partimos, descemos as escadas rolantes que estavam paradas, seguimos em direção a saída principal que dá para a praça da piedade, mas estava fechada, o terror e o pânico invadiam nosso corpo, a sensação que de estávamos fritos já era iminente.
.-E agora para onde vamos?
.-Temos que continuar a correr, algum ruim deve ocorrer, sinto isso.
.-Vamos ficar calmos pessoal, algum porta deve estar aberta. Desceremos até o primeiro andar a porta deve estar aberta. - Eu tentando acalmar eles.
.Descemos até o primeiro andar. A cada passo nos sentíamos estar pisando em algo, não sabíamos o que era, ninguém também se atreveria a tentar descobrir. Ao chegar a porta de saída do primeiro andar logo vimos que ela estava fechada também.
.-Como deu tempo de fecharem as saídas? - Zé pensa.
.-Temos que destruir a porta, ela é vidro vamos procurar algo.
.-Como vamos procurar nesta escuridão Moto? - Eu falei
.-Droga, agora que lembrei, meu celular tem lanterna, vamos pegar aquele extintor na parede. - Zé sugere.
.Alemão correu até a pilastra ao qual o extintor estava preso, tomou certa distância da porta e falou:
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-Afastem-se, pode voar estilhaços por toda parte.
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Não deu outra, a porta de vidro cedeu totalmente e até aonde estávamos os estilhaços alcançaram, mas ninguém ficou ferido. Neste momento ficamos sabendo como foi bom ele ter feito academia por tanto tempo. Corremos até saída que dava para a ladeira Junqueira Aires, mas para aonde iríamos?
.-Pessoal, o que será que encontraremos lá em cima? Deve ser perigoso no momento, vamos descer até a Biblioteca Central, lá conhecemos tudo e podemos passar a noite lá. Com certeza não encontraremos nenhum buzú. -Eu sugeri
.-É ideia, baixinho.
.Todos concordaram, quando botávamos o pé na ladeira, um evento que jamais esqueceremos em nossas vidas, uma coisa assustadora, aterrorizante. Vários cachorros, não apenas dezenas nem centenas, mas milhares deles correndo em alta velocidade, seus olhos da cor de escarlate como fogo, bocas abertas, nenhum latido, todos reunidos como uma tropa ouvindo o comando de um general. Todos eles marchavam ladeira acima, e nós abaixados atrás da moita decorativa do shopping, todos horrorizados ao ver a cena mais bizarra da nossa vida.
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-Cara, que caramba é essa velho? -Sussurrou Moto.
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-Bizarro, macabro. -Respondi.
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Quando a tropa cessou sua marcha rumo a piedade, descemos correndo mas sem fazer barulho, pois com certeza ninguém no mundo naquele momento gostaria de ser identificado por um cão daqueles, poderia ser o fim dessa pessoa. Chegamos em frente da Biblioteca Central e pra nossa surpresa.
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-Todas as casas estavam fechadas, só a biblioteca está aberta. -Zé disse.
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-Tá aberta mas pelo visto aqui também não tem energia, é incrível, nos postes da rua tem energia mas na biblioteca não. - Alemão diz.
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-Vamos entrar velho, não podemos ficar aqui fora, vamos fechar o portão. -Eu falei.
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Assim entramos e fechamos o portão. Claro que por ser um local em que nós passamos muito tempo de nossa vida era um lugar seguro, mas isso apenas em nossas mentes, pois jamais imaginaríamos o que encontraríamos naquele prédio.