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Um ato de covardia (capítulo 14)

-Todos calados, acham que poderiam nos vencer? Agora vocês estão mortos, todos!
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Eu fui o primeiro e levar um soco no rosto, na bochecha e caí na mesma hora. Nunca tinha levado um pancada tão forte, agonizei no chão, acho que perdi um dente. Naquele momento eu não via nada, mas pude ouvir meus amigos apanhando também. Eu tremia, enquanto levava chutes violentos daquela turba nervosa, no mínimo tinham seis deles nos batendo.
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Quando acabaram com nossa tortura, eu via tudo rodando, nenhum de nós pronunciava uma palavra sequer. O chefão deles começou falando:
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-E aí gostaram da surra? Hahaha, brincaram com os caras errados. Olhem só o que vocês fizeram comigo ontem.
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Ele puxou a manga comprida do seu fardamento preto e exibiu uma queimadura, bastante profunda, logo percebi que foi o botijão que detonamos ontem a noite.
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-Procurei por vocês a noite inteira, mas vocês foram burros, pegaram logo o carro que deixamos de tocaia, daí foi fácil chegar até vocês com o localizador. Agora vamos dar uma passeada por Salvador, hahaha.
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Quatro furgões pretos com a sigla O.S.E pararam em frente ao Fast-Food, e aos socos e empurrões fomos empurados, cada um em um furgão.
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-Por favor, não nos separem! -Gritei
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-Cala a boca otário -Falou um soldado
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Eles colocaram um brucutu em minha cabeça e me jogaram deitado no furgão, eu já não conseguia ver nada, mas senti um pé em meu peito, para impedir uma possível fuga. Acredito que meus amigos também sofreram o mesmo que eu, mas continuei apanhando e sendo humilhado por eles. Senti também o furgão partindo e as risadas daqueles soldados.
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Foi a pior manhã da minha vida.