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Amargo Janeiro (capítulo 13)

A chuva nos acordou por volta das 6:00 da manhã, o sol não deu as caras mas um pouco de luz agora ilumina nossa sinuosa estrada, o céu está bastante nublado, muito cinzento. Uma neblina muito forte nos impede a visão perfeita, só conseguimos enxergar cerca de 400 metros a nossa frente, nunca tinha visto isso em Salvador, mas os tempos estão tão estranhos que nem nos assusta. Zé já começa o dia reclamando:

-Rapaz, que fome, precisamos comer algo.

-É verdade Zé, vamos procurar comida.

-Vamos precisar de um carro, não acho seguro sair andando por aí?

Eu sugeri essa opção e saímos procurando um carro, o primeiro que encontramos foi um CrossFox, que chic, vamos charlar pela orla, foi o que pensei. Entramos no carro, a chave estava no painel, dei a partida, funcionou de primeira, saímos do Alto do Coqueirinho e chegamos a Av. Dorival Caymmi, a neblina continuava forte, mas não tinha perigo pois eu estava dirigindo devagar, com a perseguição de ontem a noite fiquei experiente no volante. Chegando na orla, não era possível ver o mar, mas seguimos adiante e paramos na frente de um Fast-Food, que por sinal estava com as luzes acesas, há muito tempo não víamos luz.

-Será que é seguro entrarmos? - Perguntei

-Claro que é, vamos logo estou morrendo de fome.

-Mas Zé, pode ter alguém lá.

-Talvez, o pior é morrer de fome.

Descemos do carro, já posicionado em ponto de fuga, nunca sabemos o que pode acontecer. Entramos nós quatro no estabelecimento que parecia realmente estar vazio, claro que nos dirigimos diretamente para a cozinha, que também estava com as luzes acesas. Agora sim, podíamos matar nossa fome, estávamos cercados de comida, só faltava montar os hambúrgueres, de qualquer maneira, estava muito divertido fazer aquilo enquanto lembrávamos da diversão da noite anterior. Fiz um triplo de carne, queijo e bacon, dois milkshakes de 500 ml, mas o de Alemão ninguém batia, 3 triplos de carne,queijo, ovos, cebola, bacon e salada, fizemos tudo e sentamos nas mesas.

-Poxa, comer junk food é bom, mas de graça é melhor ainda.

-Claro, ainda mais agora, no café da manhã.

Estava muito divertida aquela manhã, nem nos lembrávamos da noite anterior, em que quase que nossas vidas seriam ceifadas. Mas, não ver ninguém pelas ruas era deprimente, logo nós que gostávamos tanto de pessoas, dos nossos amigos e parentes.

brothers, vamos andando.

Nem bem completei a frase, uma explosão destruiu as portas de vidro do fast-food, e dois soldados da O.S.E invadiram o ambiente apontando as armas para nós.

-Todos parados, engraçadinhos, agora vocês me pagam por ontem a noite!

Fechei os olhos e orei à Deus.